teste

Mostrando postagens com marcador Greve dos Caminhoneiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Greve dos Caminhoneiros. Mostrar todas as postagens

1 de junho de 2018

Rescaldo da Greve dos Caminhoneiros no Brasil

Para compensar este rombo de 10 bilhões nos cofres públicos, gerados pelas medidas anunciadas para por fim a greve dos caminhoneiros (isenção do pagamento de pedágios nas rodovias federais para caminhões vazios, redução no preço do óleo diesel (gasóleo) por 60 dias e tabela mínima para pagamento de fretes), serão necessários ajustes no orçamento.

E você sabe de onde virão estes ajustes ou cortes orçamentários? De setores, que para o atual governo brasileiro, não devem ser prioritários ou são menos importantes. Entre eles:

Educação (R$ 55,1 milhões),

Infra estrutura e obras em rodovias R$ 368,9 milhões

Policiamento e segurança nas rodovias R$ 1,5 milhão,

Saúde (Sistema Único de Saúde) (R$ 135 milhões),

Ciência e Tecnologia e programas sociais, como agricultura familiar e reforma agrária, também sofrerão com as medidas.

Sem falar que que não foram descartados aumentos de impostos.

Vocês já imaginaram medidas assim aqui em Portugal? Nem eu...  E vamos lembrar que aqui também houve uma greve de caminhoneiros no mesmo período.

Chama atenção o silencio, até o momento, da maioria dos membros do Legislativo sobre estes cortes.

Quanto a política de preços da estatal brasileira, um dos fatores que desencadeou a greve, fica tudo como dantes, pois nesta mesma semana a Petrobras anuncia um reajuste no preço da gasolina e demais derivados. Como dizemos no Brasil "segue o baile".


30 de maio de 2018

Sobre Intervenção Militar e Outras Sandices

Uma coisa que chamou a atenção na greve dos caminhoneiros foram as faixas, pichações e falas dos grevistas pedindo "intervenção militar", que levando ao pé da letra, seria nada menos que o retorno dos militares ao poder e da ditadura no Brasil.

Na época do Impeachment da ex presidente Dilma isso também era comum nas manifestações.

Na verdade trata-se de uma reivindicação incoerente. Na época em que Brasil era governado pelo militares, de 1964 até 1978, todos que estão agora clamando pela intervenção militar, seriam impedidos de se manifestar ou presos. Para quem não se lembra ou não sabe, naquela época, os dias eram assim, cerceamento das liberdades individuais ou coletivas, repressão e censura. Existiam instrumentos como a "Lei de Segurança Nacional" e o AI 5 que não permitiam nada disto.


No Brasil, ainda hoje, é comum ouvirmos discursos saudosos daqueles tempos, com as pessoas afirmando que naquela época não tinha corrupção, não tinha violência, etc.

Só esqueceram que, naqueles tempos sombrios, tínhamos censura na imprensa, ou seja tinha tudo isso sim, mas não ficávamos sabendo porque os jornais e meios de comunicação eram impedidos de publicar ou informar e quem se atrevia sofria as consequências.

Políticos, jornalistas, educadores, trabalhadores, estudantes ou qualquer cidadão que insistiam em se manifestar contra ou questionar eram processados, presos, condenados e perdiam seus direitos políticos. Em alguns momentos em que se tentou um enfrentamento nos poderes legislativo ou judiciário o resultado foi Congresso Nacional fechado e Ministros do Supremo Tribunal cassados.

O fim da ditadura no  Brasil foi fruto de um acordo entre os militares e a oposição com a negociação uma Lei da Anistia que muitos afirmam ter sido a possível para aquele momento.

Esta Lei não permitiu que os desmandos e fatos fossem devidamente apurados, investigados e os responsáveis punidos e todas as tentativas de revisão foram  e ainda são sistematicamente  barradas, seja pelo legislativo ou pelo judiciário.

Ainda existem inúmeros desaparecidos políticos e mortes não esclarecidas. Recentemente a divulgação de um relatório da CIA mostrou que a execução de "inimigos" foi uma política de estado e não decisões isoladas e desconhecidas por quem detinha o poder.

As comissões da Verdade instaladas, com muito atraso diga-se, até que tentaram investigar, mas a maioria das recomendações não foram consideradas ou implementadas.

Temos um dos candidatos a presidência defendendo abertamente e elogiando a época da ditadura, ditadores e torturadores e assustadoramente esta em segundo lugar em todas as pesquisas.

Aqui em Portugal o quadro é outro.

Este ano tivemos a oportunidade de acompanhar de perto as comemorações do 25 de abril, Revolução dos Cravos, que pôs fim a ditadura em Portugal.

Todos, e reforço o "todos", os pronunciamentos, reportagens e  declarações de políticos, de todas as tendências (direita, centro ou esquerda), personalidades, jornalistas e dos cidadãos comuns, trazia uma única mensagem : "Ditadura Nunca Mais".

Vivenciamos isso inclusive na escola primária ou básica onde nossa filha de 6 anos estuda. A transmissão para as crianças destes ideais de cidadania, democracia e liberdade. O 25 de abril também é chamado aqui de "Dia da Liberdade".
Sinceramente que inveja nos deu e como queríamos que o Brasil também fosse assim de verdade. Todos clamando por democracia e liberdade e compreendendo como é bom viver em um sistema onde todas as opiniões são possíveis e respeitadas.Você pode até não concordar com as ideias contrárias mas não pode impedir que sejam colocadas.

Em resumo não existe esse conceito de "só quero intervenção militar para restabelecer a ordem no país" ou "peço intervenção militar mas não estou pedindo ditadura".

Intervenção militar significa a volta da ditadura sim e de todas as consequências que um regime não democrático produz.

Qualquer regime fora daquele escolhido pelo voto universal, direto, soberano e popular é ditadura.

Qualquer coisa que violar a democracia é ditadura. 

28 de maio de 2018

Governo Brasileiro Anuncia Medidas para Encerrar a Greve dos Caminhoneiros

Visto que decisões tomadas anteriormente não surtiram o efeito esperado, o Governo brasileiro anunciou ontem as seguintes medidas para tentar por fim a greve dos caminhoneiros, que já dura 6 dias.

Com estas medidas o governo cede à pressão dos caminhoneiros, que protestavam contra os elevados preços dos combustíveis e os aumentos consecutivos aplicados pela Petrobras.

Isenção do pagamento de pedágios nas rodovias federais para caminhões vazios,

Redução de R$ 0,46 no preço do óleo diesel (gasóleo) por 60 dias, que representa uma queda de 12%. Esta redução será feira através da cobrança menos de impostos e taxas que incidem no preço (PIS/Cofins e CIDE)

Tabela mínima para pagamento de fretes,

A previsão é que essas medidas terão um custo de R$ 10 bilhões ao Governo,

Alguns sindicatos e representantes dos grevistas estão recomendando que a categoria aceite a proposta e encerre a greve, mas como muitos caminhoneiros não se dizem representados por essas entidades, não há com fazer previsões neste momento. 

O que aconteceu  e ainda esta acontecendo desde o início da greve:

Atualização às 13:22h (horário de Lisboa)

Ainda existem protestos em várias rodovias e cidades. 

Imagem da TV Globo
Na Raposo Tavares, nas proximidades da cidade de Cotia, em são Paulo, os caminhoneiros voltaram a interditar as pistas com barreiras de pneus e outros objetos queimados.

Nas rodovias Presidente Dutra e Washington Luiz, no rio de Janeiro, sendo que em nenhum dos dois locais há bloqueios nas pistas.

No Rio Grande do Sul, na cidade de  Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre.

No Distrito Federal, no Setor de Indústria e Abastecimento, onde estão localizadas as instalações das distribuidoras de combustível.


Em Pernambuco, na BR-101, próximo a Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife.

No final de semana os supermercados ainda apresentavam prateleiras vazias e na maioria dos comércios os preços fora reajustados de forma absurda,

Em muitas cidades brasileiras hoje 28 de maio as aulas na rede pública de ensino fora suspensas e o transporte pública estima que somente 40% da frota irá circular,

Alguns aeroportos, administrados pelo Governo (Infraero), suspenderam voos devido a falta de combustível,

A Polícia Federal brasileira abriu 37 inquéritos para investigar os bloqueios,

O abastecimento de combustíveis começa a ser normalizado em algumas capitais, como Rio de Janeiro e Brasília,

No ponto de vistas político os presidentes da Câmara dos deputados e do Senado e também quase todos os pré candidatos as eleições presidenciais de outubro, fizeram críticas a política de preços praticada pela Petrobras e convocaram os parlamentares a estarem em Brasília.

Os petroleiros anunciaram uma paralisação das refinarias por 72 duas a partir de quarta feira, 30 de maio, em apoio aos caminhoneiros, mas também com outras reivindicações como: a alteração da politica de preços da Petrobras, o repasse da redução de preços para outros produtos derivados de petróleo, com a gasolina e o gás de cozinha e a saída do presidente da Petrobras.

Outras categoria estudam paralisações também

26 de maio de 2018

A Greve dos Caminhoneiros no Brasil

Na semana passada foi deflagrada no Brasil uma "greve" de caminhoneiros, que bloquearam as principais rodovias federais do país. 

Aqui em Portugal acompanhamos as notícias na TV e talvez para quem não conheça a realidade brasileira fica difícil compreender o que esta acontecendo. Então vamos tentar explicar.

 A alegação, para a deflagração da greve, foram os sucessivos reajustes de preços dos combustíveis, no caso o óleo diesel, aqui em Portugal conhecido como gasóleo

As consequências imediatas são: desabastecimento de gêneros alimentícios e combustíveis, interrupção de serviços de transporte público, como a travessia de  barcas entre as cidades do  o Rio de Janeiro e Niterói e em algumas cidades dos autocarros.

Esta "greve" tem peculiaridades já que 30% da frota de transporte rodoviário esta na mão das grandes transportadoras, uma outra parcela é de trabalhadores agregados, ou seja vinculados a estas transportadoras e o restante trabalhadores autônomos. Existem ainda diversas associações e sindicatos que dizem representar os trabalhadores, algumas ligadas diretamente aos interesses do empresariado. 

Devido a esse quadro, fica a dúvida se realmente se trata de uma greve ou de um locaute e no meio dos manifestantes surgem ainda faixas clamando pela "intervenção militar" jargão comum em movimentos ligados a direita brasileira. Os seja ninguém tem de tudo para todos os gostos.

O governo, para encerrar este movimento, convoca os empresários e entidades ligas ao empresariado, mas não os trabalhadores autônomos, para um acordo que de fim ao movimento. As decisões iniciais são redução do preço do óleo diesel por tempo pré determinado, o não pagamento de pedágios pelos caminhões sem carga. 

A Câmara dos Deputados aprova medida reduzindo a zero a alíquota do PIS/Cofins, um dos tributos que incidem no preço dos combustíveis, mas o governo reage e consegue que o Senado barre a tramitação da proposta

Aparentemente as medidas agrada aos empresários do setor, mas não aos trabalhadores autônomos e a "greve" não se encerra.

O governo então anuncia o envio de tropas federais para desbloqueio das rodovias e a situação extremamente dramática e séria assume ares de comédia com uma declaração do próprio governo, que talvez não seja possível o deslocamento da tropa por falta de combustível.

Neste momento, sábado, 26 de maio, a situação ainda é incerta.